Chegamos ao paraíso com metade do dinheiro perdido no caminho


Dando início ao blog com um relato de um pequeno rolé que fizemos até a Praia do Sono, ao sul de Paraty - RJ nessa semana.

A praia já é bem conhecida, há pelo menos 12 anos ou mais que a frequento, antes mesmo de chegar luz elétrica por lá. Hoje a trilha tem acesso melhor e a praia já possui mais estrutura, incluindo casas e quartos para aluguel. Mas pra gente continua mesma coisa: onde der pra cair tá bom.

Como sempre, nada foi planejado e a ideia do rolé começou numa mesa de bar (ou melhor, na mesa de casa mesmo) com um casal de amigos. Pronto, era o que precisava, bateu saudade da praia e no dia seguinte já estávamos arrumando as coisas.

Com aluguel atrasado e algumas contas em aberto, a unica merreca que tinha no bolso eram R$ 100,00 de uns corres que fiz no dia anterior. E já que isso não pagaria as contas, pelo menos o rolé tava salvo.

Tempo bom, barracas, rede, panelas, um arpão pra pesca e alguns mantimentos eram suficientes pra nos segurar durante os 3 dias e 2 noites na praia. Ah, e os R$ 100 (para o casal)...

O dia amanheceu e começamos a preparar as coisas. Eis que recebo uma porra de mensagem em inglês no celular: Hey, we will arrive at 11am.

Puta merda, eram duas irlandesas que eu havia concordado de recebê-las em casa através do Couchsurfing e havia esquecido. Foda-se, elas teriam que ir com a gente agora. As encontrei na rodoviária e expliquei o plano e as mesmas toparam na hora. Arrumei uma barraca extra (toda fudida) e agora éramos seis no total: eu e minha namorada francesa, uma amiga carioca e seu namorado também francês e as duas irlandesas que nunca vimos na vida.

Tudo pronto, a bordo da kombosa, partimos por volta das 14:30h num calor infernal e as irlandesas pareciam assar dentro do carro.

Subimos a serra de Trindade a 15km/h, velocidade maxima que a kombi 1971 conseguia atigir com aquele peso todo. Enfim, chegamos a Laranjeiras e a pimeira missão era encontrar uma vaga segura para a kombi, já que a mesma nem tranca as portas e vocês sabem que nesse lugares pode surgir um Highlander que saiba juntar dois fios no painel e faz ela voar até se quiser.

Como costume, todos os moradores que possuem um quintal cobram a diária de R$ 20,00 por carro para guardá-los. Mas estamos aqui falando de ecodurismo, e nada é fechado antes de chorar um pouco. E sempre dá certo, cada um com seus argumentos e desculpas, chegamos ao acordo de R$ 25,00 os dois dias (dividido por 6 pessoas).

O acesso a praia é feito via barco (pago) ou trilha de 1h. Óbvio que optamos pela segunda opção sempre a desculpa esfarrapada: "ah a trilha é mais maneira, maior visu." Porra nenhuma, é falta de grana mesmo. Já na primeira subida, olho pras irlandesas e me deparo com duas caras vermelhas, bufando e despenteadas e já imaginei logo: essas minas devem estar putas comigo. O combinado era elas chegarem de viagem e ficar la em casa de boa. Imagina quando chegarem na praia e ainda verem que a barraca que emprestei era muito fudida. Foda-se, seguimos.

Metade do caminho percorrido, hora de colocar as bagagens um pouco no chão e beber uma água.

Colin, o francês do grupo decide mijar, e deixa sua pochete (bem escrota por sinal) no canto da trilha. Todos dispostos novamente, e assim seguimos por mais uns 20min. Eis que ecoa a seguinte frase: "Carraille, mon pochete" (sotaque francês). Começou a merda ai. O casal (carioca e francês) largaram as bagagens e voltaram correndo em busca da pochete perdida. Tarde demais, pois havia passado um casal e uma família no sentido contrário da trilha e alguém estaria essa hora voltando pra casa com um celular e mais R$ 250,00, e inclusive com a própria pochete escrota do francês.

Minha namorada e as irlandesas seguiram sozinhas para finalizar a trilha e eu aguardei o casal retornar com a noticia triste.

Com lamentações, seguimos a trilha. Eu com meus R$ 100, pra ainda dividir com minha namorada já achava que estava na merda, imagina o casal que acabara de perder tudo... mas foda-se, não desistimos e finalmente chegamos ao destino. Bagagens ao chão e mergulho no mar pra tirar o suor da trilha.

Agora era partir pra próxima missão: achar um lugar pra cair e se virar pra comer. Isso vou contar no próximo post do blog.


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