Essomericq: o primeiro índio a “viajar” e se tornar nobre na Europa

Quem se liga em história do Brasil, em especial, nos primeiros anos de colonização, certamente se depara com inúmeros relatos e registros que, não sabemos porque, não nos contam na escola. E um dos casos mais intrigantes – e incríveis – dessa época é justamente a história de Essomericq, um jovem índio carijó, que teria sido levado em uma expedição francesa à Europa e passado o resto de sua vida lá.


Se você nunca ouviu falar nessa história, senta aí, porque realmente é muito interessante e nos faz imaginar inúmeras possibilidades que este tupiniquim possa ter vivido nessa “viagem”.


Confere aí!

Imagem ilustrativa


Ainda na viagem de Cabral


Como certamente você viu na escola e nos livros de história do Brasil, Pedro Álvares Cabral partiu de Lisboa em 1500 rumo a uma terra até então desconhecida e inexplorada pelos homens brancos.


Exatamente no dia 22 de abril deste mesmo ano, a expedição portuguesa desembarcava no sul da Bahia e faria o primeiro contato pacífico (e incrivelmente descrito na carta de Pero Vaz de Caminha) com os nativos locais.



Entre trocas de presentes, degustação de vinhos (é... os índios detestaram e cuspiram na hora) e até pernoites dos tupiniquins nas embarcações, tudo ocorreu perfeitamente bem nesses primeiros dias, bem diferente de outros contatos de Colombo no Caribe, por exemplo.


Com isso, Cabral aproveitou para fazer as primeiras cagadas da colonização, deixando alguns degredados e criminosos para explorarem a nova terra descoberta e partiu, dias depois, caminho às Índias, contornando o então temido Cabo das Tormentas, ao sul da África.


E foi somente em 1501 que o explorador português finalizaria a sua expedição, retornando à Terrinha com direito à festa e comemoração pelo sucesso da viagem às Índias e, claro, pela “descoberta” do Brasil.


Nessa ocasião, os portugueses se amontoaram em Lisboa para dar as boas-vindas ao navegante e saber, em detalhes, sobre a aventura concluída por Cabral e sobre a nova descoberta.


E no meio dessa galera, estava justamente um dos personagens da história principal: o francês Binot de Gonneville.


4 anos após a descoberta, o francês Binot de Gonneville se aventura pelo sul do Brasil


Ouvindo as histórias de Pedro Álvares Cabral e os detalhes da descoberta de uma terra rica e até então desconhecida pelos brancos no Novo Mundo, o Binot de Gonneville corre até a coroa francesa para contar os feitos de Portugal, e então, tentar incentivo e patrocínio da realeza para uma expedição até este território.



Pobre coitado do francês! Afinal, o então rei Luis XII da França simplesmente descartou a ideia e não se mostrou interessado na aventura.


Porém, como todo colonizador europeu, não daria para abandonar o projeto assim! E foi então que Binot de Gonneville consegue investimentos privados com investidores e comerciantes franceses, que toparam a ideia e certamente teriam uma participação futura na exploração.


Nascia aí o único navio da expedição, apelidado de Espoir (esperança em francês), e que partiria sozinho em 1504, para uma aventura jamais vivenciada na história do Brasil.


Provavelmente carregado pelas correntes marítimas do Atlântico, a embarcação tomaria um rumo mais ao sul da rota de Cabral e, ainda em 1504, chegaria onde, hoje, se acredita ser a cidade de São Francisco de Sul, entre SC e PR.


LIVROS RELACIONADOS A HISTÓRIA DE ESSOMERICQ

- Vinte Luas - Leyla Perrone

- Náugragos, traficantes e degredados - Eduardo Bueno

- L'homme de bois - Elie Berthet (romance em francês)

- Campagne Du Navire L'Espoir De Honfleur 1503-1505 (em francês)


O contato de Binot de Gonneville com os nativos carijó


Como em diversos registros futuros viriam apontar, os índios Carijó eram considerados extremamente pacíficos e abertos ao contato com outros povos e não foi diferente quando os franceses aportaram sua embarcação Espoir em 1504.


Apesar dos poucos relatos históricos, acredita-se que este encontro tenha seguido os mesmos moldes que Pero Vaz de Caminha relatou em sua carta na Bahia, com uma relação amistosa e de confiança entre nativos e europeus.

E é justamente aqui que surge a imagem de Essomericq, um jovem indígena com seus 13 anos e filho do líder da aldeia. Esse nome “Essomericq”, provavelmente tem origem numa adaptação do francês para “Iça-mirim”, que em tupi significa formiga pequena.


Nesse contato amistoso, o então líder da aldeia oferece seu filho e o entrega às mãos de Binot de Gonneville, com um acordo de que o mesmo retornaria após 20 luas e com “poderes” e “aprendizados” dos franceses.


Tudo parecia vantajoso para ambas as partes: o carijó retornaria mais sábio e poderoso a suas terras e, por sua vez, o francês levaria uma prova real para apresentar aos seus investidores, de que realmente teria chegado a uma terra desconhecida.

Porém, na prática, tudo teve um outro rumo.


A viagem do índio Essomericq para a Europa


Dias após a chegada ao Brasil, a guerreira embarcação Espoir tomaria o rumo de volta à França, e agora com um passageiro a mais: o pequeno Essomericq.


A princípio, todo o trajeto pelo Atlântico teria sido realizado com sucesso e faltava pouco para a viagem se finalizar seu percurso. Até que, bem no Canal da Mancha, embarcações piratas teriam avistado o navio Espoir e, sem dó e piedade, o atacaram e o saquearam, fazendo que seus destroços afundassem pelas águas geladas.


Porém, tanto o capitão Binot de Gonneville, como o sagaz índio Essomericq, teriam sobrevivido ao ataque e alcançado terra firme a nado.

Começava aí uma nova jornada na vida do tupiniquim na Europa e que jamais teria outro destino diferente.


Sem mais investidores, Binot de Gonneville não consegue levar Essomericq de volta ao Brasil

Com todo o ocorrido, a história do navio Espoir se acaba ali, naufragado entre a França e a Inglaterra, mas com os dois principais personagens a salvo.


Mesmo com a prova real de um nativo a seu lado, Binot de Gonneville não conseguiu mais novos investimentos suficientes para a construção de uma nova embarcação e, consequentemente, quebraria o acordo firmado com o líder da aldeia de retornar com seu filho em 20 luas.


Assim, não lhe restou outra alternativa a não ser assumir a guarda do pequeno indígena e torná-lo membro de sua família nobre, inclusive, o batizando pelo mesmo nome: Binot de Gonneville II.


O índio se torna nobre, casa-se e vive até os 95 anos na França


Ainda que os registros sejam poucos e limitados, acredita-se que o pequeno Essomericq teria vivido longa data na região da Normandia e, de quebra, se casado com uma das filhas de Binot de Gonnevile.


Toda essa história teria durado incríveis 95 anos, tornando o pequeno índio o primeiro brasileiro a ter vivido na Europa e, mais do que isso, se tornado um cidadão nobre.


CONFIRA DICAS DE LIVROS DE HISTÓRIA DO BRASIL


Hoje, ainda são poucos os registros que remontam essa história, se limitando a um livro em português chamado Vinte Luas da escritora Leyla Perrone. Há também romances franceses baseados nessa aventura e estátuas em homenagem à Binot de Gonneville no país.


E além disso, os pacíficos carijó foram dizimados pouco tempo depois em outras expedições colonizatórias.


Em resumo, a história do índio Essomericq e sua saga por terras europeias é daquelas histórias que colocam a imaginação a outro patamar e, infelizmente, nossas salas de aula não nos mostram. Mas em tempos de internet, essa e outras maravilhas passam a ser mais acessíveis agora!


Curtiu? Quer conhecer outros relatos incríveis de viajantes e aventureiros em terras brasileiras? Então, confere também um outro post sobre perrengues históricos passados por exploradores por aqui.

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